Segunda-feira, Janeiro 31, 2005
Bolinhas brancas
Ainda naquele raciocínio de que eu estou aqui na Inglaterra há mais de um ano e ainda não fiz certas coisas, me dei conta que também não sabia como era isopor em inglês. Como é que eu consegui passar um ano inteiro e mais alguma coisa nesse país sem saber como dizer isopor? Então eu perguntei pra minha gerente como era em Inglês o nome daquela coisa branca que sempre vem dentro das caixas de eletrodomésticos. Minha gerente deve me achar uma graça, é cada pergunta que eu faço pra ela às vezes!
Pode parecer besteira, mas é que minha história com o isopor vem de longe! Quando eu estava em Portugal e falava em isopor, as pessoas ficavam olhando pra mim com aquela cara de heim. Isso porque isopor em Portugal é esferovite. Isopor na Inglaterra é polystyrene.
Nunca se sabe quando você vai precisar de isopor...
Domingo, Janeiro 30, 2005
Frida
Quem é ela? O que ela fez? O que viveu? São umas das perguntas que eu gostaria agora de tentar descobrir mais a fundo depois que assisti antes de ontem o filme
Frida de 2002 com a Salma Hayek e o fantástico Alfred Molina numa caracterização impecável. Eu levei tempo até me convencer de que era mesmo ele e não um ator mexicano. Tirando o dilema clássico de Hollywood insistir que os filmes sejam todos falados em inglês, mesmo que sejam na língua da Conchinchina, eu gostei muito de Frida.
Fiquei louca pra explorar mais o mundo de Frida Kahlo. Até então, pra mim ela sempre fora aquela pintora mexicana com as sobrancelhas pregadas e que pintava figuras estranhas ala Dali, mas depois desse filme, tudo mudou!
As peças dela transmitem uma melancolia, uma saudade e paixão tão feminina...
Estando eu em estado constantemente saudoso não é de se admirar que me identifiquei com ela.
Sexta-feira, Janeiro 28, 2005
Agora, sem tempo
Uma chuva de empecílhos apareceram nos últimos dias: a internet não funciona depois do meio dia por causa da TV a cabo. Uó. Estou tendo que ir trabalhar porque a fingida de lá diz que tá doente. Ótimo pra mim que ganho mais! Quarta passei a tarde no shopping com uma amiga brasileira que está aqui agora, batendo perna horas e horas como nos meus velhos tempos! Tão bom! Mas aí contando com isso tudo, meu bloguinho ficou negligenciado.
Eu ainda quero fazer a brincadeira da bolsa!!
Terça-feira, Janeiro 25, 2005
Já não era sem tempo!
Depois de 1 ano, 4 meses e 16 dias morando na Inglaterra, hoje, finalmente, eu provei Marmite!
Devo dizer que realmente é a coisa mais estranha que existe, o que justifica o que os ingleses costumam dizer: "eu sou como Marmite: ou você ama, ou você odeia!".
Eu ainda não decidi se amo ou odeio. Continuo na fase do estranhamento...
Segunda-feira, Janeiro 24, 2005
Já sou gente grande porque...
como cachorro-quente com ketchup e maionese sem sujar a roupa
faço as claras crescerem em neve batendo com o garfo
Domingo, Janeiro 23, 2005
Little Women
Acho que a primeira vez que ouvi falar desse livro foi no blog da
Ione. Aí acho que logo em seguida passou um programa na BBC sobre livros, e o Little Women estava incluído. Primeiro pensei que era só mais um livro pra criança e não liguei muito. Mas como tanta gente grande falava desse livro, pensei 'porque não?' afinal de contas, um dos meus livros preferidos até hoje é O Pequeno Príncipe!
Comecei a ler o livro e foi paixão à primeira página! Ia lendo no ônibus escondendo a capa do livro pra ninguém ver a marmanja aqui lendo livro de criança. Ai como eu sou ridícula...
Estava lá no clube, e comentei que estava lendo esse livro. Diane chegou perto de mim e perguntou se eu já tinha chorado muito. E eu 'heim?' E ela disse: "ah, porque a Beth morre". E eu: morre nao. Morre. Não morre não. Morre sim. Caramba, eu tinha lido o raio do livro até o final e eu tenho certeza que deixei Beth viva. No entanto há um porém. O livro termina dizendo qualquer coisa que 'se a aceitação desse primeiro ato fosse boa, haveria uma continuação'. Mas ficou por aí.
Hoje vi o filme de 1994 com a Winona Ryder no papel de Jo. É sempre uma droga ler o livro primeiro. Fica sempre aquela coisa de comparar o livro e o filme. E também, convenhamos, não tem filme que consiga ser 100% fiel ao livro. Não tem sequer tempo suficiente pra isso. E o livro é sempre melhor que o filme e eu tenho que ler o livro só depois agora (apesar de que aí eu fico naquela 'ah... mas eu já conheço a história...' ai que bixo complicado que eu sou) E com Little Women não foi diferente.
Aí hoje veio a revelação. Depois do ponto até onde eu conhecia, tem muito mais história. Fui conferir na net e realmente, lá vai minha mão à palmatória, tem um segundo livro. Não li, mas é bem provavel que no livro Beth morra tal como no filme.
Se tiver paciência de ler on-line,
clique aqui.
Ah, e eu chorei, tal como Diane disse.
Sábado, Janeiro 22, 2005
Super Cool!
Muita gente pode não acreditar, mas apesar do tanto que eu gosto de Tarantino, só ontem eu vi o Reservoir Dogs de 1992. Mesmo com a fama desse filme a correr solta, as únicas imagens que conhecia eram: a saída dos cachorrões do bar e a dança do Mr. Blond.
Parágrafo necessário e absoluto: é possível que o Michael Madsen seja mais
cool do que ele foi nesse filme (e sexy também - falando baixinho pro marido não ouvir... hihihi)?
Retomando um longo debate que existe sobre filmes nascerem ou não clássicos que eu tive como
Renatinho há um tempo - e vira e mexe o debate volta - eu acho esse filme um clássico e com grandes chances de ter nascido um.
Tudo nele é
cool: aquela conversa no começo sobre 'Like a Virgen', toda a polêmica do Mr. Pink sobre não pagar gorjeta (coisa que eu penso às vezes, mas acabo pagando de qualquer maneira tal como ele ), a apresentação dos atores (supra-sumo do
cool e sempre copiado), a seção de tortura com o Mr. Blond (valha-me Deus, mas a dança dele é muito massa!) e já no finalzinho o jogo de armas apontadas (que aliás foi homenageado em Shaun of the Dead, entre outras coisas).
Are you gonna bark all day, little doggie, or are you gonna bite?
Muito muito bom!
Sexta-feira, Janeiro 21, 2005
Cigarros e Bombons
Hoje pela manhã quando íamos saindo vi um maço de cigarros jogado na calçada com uma escrita árabe. Isso me bateu três coisas:
1. Um porco qualquer jogou lixo na rua.
2. Existem marcas de cigarro árabe!
3. Lembrei do meu primo Flávio.
Lembrei dele porque pensei que se isso tivesse sido à coisa de uns 15 anos atrás ele teria enlouquecido! Flavinho costumava colecionar maços de cigarro e era muito orgulhoso da sua enorme coleção. Eu achava que era uma coleção muito mal cheirosa, e minha avó e tias também tinham medo que aquilo provocasse alergias. Não duvido que desse.
Eu colecionei muitas coisas: das típicas figurinhas ao papel de carta! Engraçado a coleção de papel de carta, porque ninguém nunca escrevia carta naqueles papéis...
Uma das minhas últimas coleções foi a de papel de bombom. Essa pelo menos era uma coleção mais cheirosa. Pena que mais ninguém colecionava. Tentei persuadir uma amiga a começar também, mas ela não achou muita graça. Eu gostava muito, principalmente quando os designs das embalagens mudavam.
Por ser a colecionadora de papel de bombom oficial da casa, eu tinha acesso privilegiado à abertura das caixas de bombom nos domingos depois do almoço. Eu precisava ver se tinha algo novo, nada mais justo que assim fosse! Claro que eu sempre aproveitava pra garantir o meu Opereta!
Quinta-feira, Janeiro 20, 2005
Blogs.com.br
Estou tão contente! Eu havia me inscrito no
blogs.com.br mas não tinha sido adicionada. Já tinha até perdido as esperanças. Aliás por duas vezes fui lá e dava uma tela branca. O que será que é aquilo?? Será que andam hackeando o blogs.com.br??
Enfim, hoje fui lá só pela curiosidade e me encontrei rôrôrô!
Vento
Esse inverno aqui tá sendo o que há de mais insuportável que existe. Eu até já cansei de procurar saber quantas milhas por hora tem o vento. Eu sei que são muitas.
A sensação que se tem é a de que moramos no alto de um farol em meio ao mar revolto. O vento entra por cada brecha de janela, balança as portas, até abre as portas. Tem também o barulho, agora insuportável, que ele faz. Mais parece que estamos escutando a mesma música sem parar há dias...
Pára vento, chega de soprar. Com você as coisas só ficam ainda mais difíceis pra mim.
Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
Diário de Bordo: Eslovênia
15/01 15:30 H
Já estamos no salão de embarque do aeroporto, mas o vôo só sai às 16: 50 hs.
A nossa despedida das pistas foi bem bacana. André fez o que quis: subiu numa das pistas altas e desceu a toda velocidade. E eu desci a minha rampinha confortável de iniciantes quatro vezes pela ¿última¿ vez! E fechei a tarde sem cair também!
Devolvemos as pranchas e botas, postamos os últimos postais e compramos o imã pra minha coleção. Subimos para o hotel num frio danado, André agoniado pra ver O Clone! Pois é, eu não falei: está passando O Clone aqui com legendas em esloveno. Engraçado ter batido nesse lugar onde não me admiraria saber que nenhum brasileiro nunca esteve e escutar português. Hoje até ouvimos Araketu na rádio do ônibus quando voltávamos e André disse que o Ratos de Porão tão sempre por essas bandas. É, eu acho que os eslovenos gostam da gente!
A única coisa chata de toda a estadia foi um mal-entendido na recepção do hotel. Depois que pegamos a chave pra subir pro quarto, a recepcionista nos chamou alto um ¿ei, quero falar com você¿. Achei tão estanho e desajeitado. Nossa reserva era do dia 09 ao 14. Em todos os lugares do mundo que estivemos até agora isso significa que passamos da noite do dia 09 até a noite do dia 14, só saindo na manhã seguinte, no caso dia 15. Só que eles ¿entenderam¿ chegar no dia 09 e ir embora na manhã do dia 14. Mal entendido são uma coisa. Mas o tom daquela velha de óculos fundo de garrafa foi outra coisa. Ela virou pra gente e disse que ¿tínhamos que sair do quarto no dia seguinte até as 11:00 da manhã¿. Ainda bem que nessas horas é sempre André quem está lidando com a situação. Ele simplesmente disse ¿mas é isso que faremos¿. Eu por minha vez fiquei puta com aquela velha. Mas deixa, deixa (eu me vinguei dando uma nota baixa pra recepção num formulário de feedback!!!).
Pra constar o jantar do último dia também não foi fantástico. Vê? Nem tudo dura para sempre.
Pela primeira vez demos uma saidinha de noite. Um frio de rachar o coco e povo fazendo esqui noturno. Claro que é muito massa! André mesmo ficou doido pra ir fazer também. Nessas horas eu sou a que tem mais juízo e só achei bacana. Faziam -6º C, mas a sensação térmica era de menos tudo.
Hoje pegamos o ônibus pra Ljubljana, daquele banco mesmo (!) e levamos umas duas horas pra chegar lá, já que foi parando em cada cidadezinha que Deus pôs no caminho.
Quando chegamos sabíamos que só teríamos 3 horas pra ver alguma coisa, mas no final foi mais que suficiente. Primeiro porque uma neblina pesada cobria a cidade e nem o castelo que fica mais ao alto pudemos ver. E segundo porque o centro turístico é muito pequeno. Francamente, não achamos a cidade nada charmosa, antes sim muito triste.
Talvez Ljubljana seja uma daquelas cidades de coisas a fazer e não de monumentos, mas não tivemos tempo de descobrir isso. Com essa decepçãozinha, voltamos logo para a estação e matamos tempo no McDonalds.
André reclama do pulso. Talvez tenha torcido um músculo. Eu estou com aquele enjôo básico de viagem, mas agora não demora muito para chegarmos.
Ainda temos 321 STI (Tolars) e acho que vou gastá-los com um café com creme, já que isso é muito pouco pra lojinha do tax free.
18:07 H
Na verdade descobrimos mais 130 STI pelos bolsos. Vai ficar de lembrança no álbum!
O café com creme tava mesmo bom!
Não sei que país estamos sobrevoando agora, só sei que tem cidades mesmo grandes embaixo. Agora só vejo as luzinhas acesas.
Eu nunca passei por um vôo tão turbulento em toda a minha vida. Minha cabeça já dói de tanto sacolejo. André parou agora, mas antes ele só sabia falar besteira sobre o avião cair e não sei mais o quê. Ficava falando que o piloto demorou a falar com os passageiros porque estava tentando fazer com que o avião não caísse. É de uma sensibilidade ele...
Fim!
Terça-feira, Janeiro 18, 2005
Diário de Bordo: Eslovênia
14/01 13:10 H
Estamos no intervalo da tarde. Eu sinto que já estou no meu limite. Acordar sabendo que teria mais um dia de atividades pela frente foi terrível. Então fui muito devagar em tudo e também aproveitei para tirar mais fotos. Até tiramos uma com o professor e ele pediu pra mandar pro site dele.
Mas tirando toda a exaustão, posso dizer que fiz snowboard dentro dos meus limites. A única coisa queria ter aprendido era fazer a virada no final dos loops: numa ir de frente, virar e voltar de costas. Mas como Jure disse, esse é um passo muito maior pra gente. Só tivemos 3 dias de aula e acho que aprendemos bem o que nos foi dado. Vemos grupos que começaram mais ou menos conosco e continuaram com os instrutores e penam pra fazer essa bendita curva. Olhando quem já sabe parece uma besteira, mas é difícil pra caramba de aprender. E quer saber? Francamente, eu já não quero mais cair. Isso também significa que de uma próxima vez ainda precisaremos de ajuda pra aprender só isso.
Diário de Bordo: Eslovênia
13/01 16:21 H
Acabamos de chegar no hotel. Às 16:00 hs as tirolesas fecham e já não há muito que fazer. A não ser que se suba a pé (como vínhamos fazendo por sinal).
Primeiro dia com o ticket para a tirolesa e eu até já me sinto gente! André demorou muito até pegar o jeito. Durante a manhã toda ele só conseguiu uma vez e mesmo com a minha ajuda ele não conseguiu. Ai vem o efeito avalanche (termo muito apropriado para a ocasião!): ele não consegue e não quer mais tentar. Ai vem a minha chalerada e tudo se resolve. O que seria do mundo sem as esposas?
De tarde ele conseguiu, mas também sob pressão. Eu tinha ajudado ele e perdido a minha vez na fila. Aliás, ¿fila¿ é uma noção que não existe na Eslovênia, só para constar! Como tive que voltar na fila toda, e ter ficado muito puta, disse que não ajudava mais. Aí ele conseguiu!!
20: 32 H
Comemos tanto no jantar agora! Parece coisa de pobre que nunca viu comida. Mas é só que a não dá pra resistir. André mesmo disse que voltaria só pela comida desse hotel!
Como eu já disse, temos a nossa mesa pra toda a estadia. Então chegamos a conhecer alguns vizinhos. Tem o velho gordo que fala italiano e que está sempre só. Hoje descobri que estamos no mesmo andar. Ele come tanto, meu Deus do céu! Tem também um casal que senta do outro lado. Eles fazem esqui. A mulher tem um olho baixo e não sei porque eu tenho medo dela. Ela quando come se baba toda... Eca! Eles conhecem um pessoal que senta do outro lado do salão, e eles sempre terminam primeiro. De modo que quando passam pela velha de olho baixo, eles forçam as crianças a darem tchau pra velha e elas quase nunca dão. Se eu tenho medo dela, o quê dirá as crianças?
André diz que eu não estou gostando da nossa viagem. É claro que estou! Mas é que isso tudo é tão cansativo ¿ e eu estou tão fora de forma ¿ que eu já não vejo a hora de voltar e poder descansar. Eu tenho meu corpo todo mastigado e sei que amanhã ainda tenho que acordar, vestir, comer e subir e descer montanha o dia todo. Acho que isso é um pouco do meu ser: chega uma hora que me enche o saco. Isso também não quer dizer que eu não goste de snowboard. Pra falar a verdade, já estou doida pra comprar a minha própria prancha! E também de arrumar meios de fazer isso sempre. Enquanto na Europa fica sempre fácil. Mas votando pro Brasil têm a Argentina e Chile. Só que antes mesmo da próxima temporada e antes de terminar a que estou, já penso no que vou inventar: natação? Voltar para o boldering? Fazer BLT a sério? Ou mesmo badminton? Caramba, eu preciso é me tratar...
Segunda-feira, Janeiro 17, 2005
Diário de Bordo: Eslovênia
12/01 20:03 H
Noite passada não dormi nada. Minha suspeita é que eu não digeri bem as lulas que comi no jantar. Já André diz que é porque eu vou dormir muito cedo e perco logo o sono. Não sei. O que sei é que às 8:00 da noite já tou bamba. Mas à meia-noite de ontem acordei. Fiquei daqui ouvindo o relógio da Igreja bater a cada 15 minutos e ficando cada vez mais angustiada porque sabia que precisava descansar. Eventualmente eu dormi, mas não consegui levantar às 8:00 da manhã.
Hoje foi o nosso último dia de aula. Na verdade só revisamos o que já vínhamos fazendo. A novidade foi os loops menores, mais curtinhos.
Ainda não aprendemos a fazer uma descida alternando frente e costas, mas isso vem com o tempo. Talvez nem mesmo durante nessa estadia. Outra coisa muito massa foi que durante o grande loop, a meio do caminho, seja de frente ou de costas, a gente deve se agachar. Isso dá uma velocidade controlada, só que a gente ta ali pertinho do chão. Eu nunca surfei, mas eu acho que essa é a sensação mais próxima que há entre snowboarding e surfing. Ou seja, muito massa!
Última aula finalmente subimos na bendita tirolesa! Hoje André foi primeiro, já que ele não conseguia entender como que eu caí duas vezes. Bem, ele perdeu o a vez umas três vezes e caiu uma. Acho que deu pra entender agora... Eu na fila da tirolesa com o instrutor, nem respirava, coitada de mim. Só conseguia pensar ¿eu não vou cair, eu não posso cair¿. Não sei como, mas eu cheguei lá em cima sem cair. Também não sei como não morri asfixiada, porque na subida também não respirei. Ia tão tensa que até uma dor na coxa eu senti.
Não compramos o bilhete hoje, mas amanhã nós vamos. Chega de subir à pé.
Hoje finalmente comecei a tirar as fotos. Até dois vídeos fizemos.
Não esgotamos as nossas energias. Depois da aula deixamos as pranchas no hotel e fomos ao nosso lanche básico. Depois pagamos o curso de snowboard e eu postei os postais para as minhas meninas.
Andamos quase uma hora dentro dessa cidade minúscula atrás da rodoviária e eu continuo me recusando a acreditar que aquele BANCO é A rodoviária. Mas enfim, a volta já está garantida.
Descendo as rampas, tem sempre muitos grupos de aprendizes. E o que mais se ouve é: dole dole dole dole... não agüentei e perguntei ao instrutor. Ele disse que é ¿pra baixo¿. Assim faz sentido. Se fose: gore gore gore gore, ¿pra cima¿ aí sim seria estranho.
Aprendi também que ¿ tem som de ¿ch¿, que Č tem som de ¿tch¿ e ¿ tem som de ¿ge¿! Eu só esqueci o nome mesmo do sinal ¿ ˇ ¿, mas o som é o que importa, né?
Diário de Bordo: Eslovênia
11/01 18:05 H
Segundo dia de aula. Acho que dormimos umas 12 horas sem parar. E o pior é que por mim eu continuava na cama. Acordei quebrada e André também gemia pra se levantar. Ainda bem que rendemos um bocado.
Começamos o nosso dia às 9:30, meia hora antes da aula em si. Foi um bocado difícil ficar em pé na prancha de cara. A impressão foi a de que eu tinha desaprendido tudo e fiquei mesmo desanimada. Mas aí o jeito foi voltando aos pouquinhos.
A aula de hoje foi sobre dar loops em toda a extensão da pista. Você joga o peso todo para um lado e do jeito que a prancha é projetada ela te leva até o outro lado e pára. Até eu conseguir jogar o tal do peso para os lados demorou um bocado. Mas no final do dia eu já conseguia me deixar levar.
O meu problema foi fazer a prancha descer reta. Com a prancha retinha para baixo você tem que jogar todo o peso para o pé da frente que a prancha acaba te levando pra um dos lados. E é aí que mora o problema: você já tá descendo com a prancha de frente o que significa MUITO RÁPIDO, e cadê coragem pra se jogar ainda mais pra frente? De todas as vezes que desci assim muito rápido eu caí. E numa das quedas lasquei o joelho bonitinho. Quando vou devagar é beleza; ainda tenho medo da velocidade.
Já André é um problema. Ele começou o dia com bom espírito. Fez aula também na boa. Mas quando voltamos de tarde ele veio abaixo. Quis desistir e tudo, imagina? Uma chaleradinha básica e ele se animou de novo. Só no final do dia ele tava conseguindo controlar mais a prancha. Mas ainda ta caindo muito. Raras são as descidas que ele não cai. Espero que amanhã ele já não caia.
Uma coisa chata é que o instrutor Jure (diz-se Yure) ainda não nos deu carta branca pra usar as tirolesas. De tarde até que ele tentou comigo, mas eu caí. Duas vezes. Isso foi definitivamente ridículo. Até então nunca tinha me sentido envergonhada de nada. Mas cair por não conseguir se enganchar na merda tirolesa, realmente foi foda.
Então a gente tira a prancha clic clic clic clic (são quatro fechos, dois pra cada bota), sobe à pé com a prancha debaixo do braço, senta na pista clic clic clic clic, fecha os fechos da prancha na bota e desce. Só que isso de tá tirando e botando prancha, mais subir a pé é um saco. Espero amanhã conseguir subir na bendita tirolesa senão não terá graça mesmo.
Agora estamos contando os minutos pra ir jantar, que só começa às 18:30 horas. Estou comendo tanto que os 50 kg que eu tinha antes da viagem (mais o que eu certamente perdi com a disenteria) já deve ter aumentado aí um bocado. A comida é muito boa e a fome depois de tanto exercício é GRANDE!
Domingo, Janeiro 16, 2005
Diário de Bordo: Eslovênia
10/01 17:50 H
Resumo do resto de ontem:
Sim, eu fiquei com disenteria. A ponto de ter que comprar remédio. Eu desidratei muito. Tomei uma sopa de almoço aos trancos e barrancos, mas foi aí que a minha moleza foi passando e no avião eu até consegui tirar uns cochilos.
André também estava enjoadinho, mas tudo isso da gente foi por não ter dormido bem e comido mal.
O vôo foi muito tranqüilo e durou por volta uma hora e quarenta minutos. Já chegando perto da Eslovênia, tivemos vistas fantásticas dos Alpes, mas não chegamos a tirar nenhuma foto. Na volta vou tentar.
Um rapazinho do curso de snowboard, o David e uma menina, Simone acho (ela deve ser namorada dele), estavam nos esperando no aeroporto.
O aeroporto é minúsculo. O de João Pessoa perto daquele é gigantesco. O salão de desembarque tem que competir com as mesas de um café... Francamente, quando eles estiverem na União Européia pra valer vão ter que dar um jeito naquilo.
Eu não contei, mas o trajeto do aeroporto até aqui na cidade deve ter durado uma hora mais ou menos. Eu estava tão exausta que quase peço pra ninguém falar comigo. Mas fiquei surpresa ao me pegar puxando assunto. Eu e meus inegáveis genes!
Fomos primeiro na loja pegar as botas e pranchas. Primeiro eu achei muito estranho que a pessoa cansada da viagem, doida pra chegar no hotel e respirar ¿ como eu estava ¿ tivesse que ir logo buscar o material de snowboard. Mar quer saber: assim dá um jeitão. Porque você descansa de uma vez e no dia seguinte começa logo como deve ser.
O hotel é uma graça! 3 estrelas, mas vou te contar: é demais!
Primeiro que fica no alto e se tem uma vista linda. Também por ser alto, do lado já se tem uma descida. Escolhemos ter café e jantar incluídos. Estávamos com medo de ter que comer as coisas mais estranhas possíveis. Que nada! Risoto, franguinho, saladinha, sobremesa, vinho de boas-vindas! Ai, que eu espero que tenha isso tudo hoje também!
Um lance massa é que numa sala ao lado da recepção tem uma série de armários pra guardar os esquis e pranchas. Muito organizado!
Ah! E no restaurante, a gente tem uma mesa só nossa: muito massa!
Então pegamos o material. Pena que eu queria um prancha rosa ou vermelha e a minha é preta e azul... Tudo bem: uma dia eu vou ter aquela da Decathlon que é linda de morrer com flores brancas e fundo vermelho escuro.
A moeda daqui se chama Tolar (STI). 1 libra compra 336 tolars.
Aqui tudo é muito barato. Fizemos um lanche muito bacana e pagamos 3, 50 libras (equivalente).
Chegamos um pouco mais cedo para a aula, e enquanto o instrutor não chegava fomos dar uma olhada na pista. Meu amigo, eu desanimei! Pense que o povo é muito fera. A maioria começa nessa vida com 5 anos ou menos. Vi milhares de pais, mães e mesmo instrutores ensinando uns pimpolhos minúsculos. Eu fico besta de tão lindo!
Mas enfim, eu caí. André caiu ¿ e muito coitado. Muita joelhada, muita queda apoiando e forçando os pulsos, muita queda de bunda. Mas no final do dia continuávamos animados, e eu consegui descer uma vez sem cair!!
Diário de Bordo: Eslovênia
09/01 04:13 H
O começo dessa viagem calhou de um modo muito corrido. Embora o avião para Lujbljana só saía às 12:00, não conseguiríamos chegar aqui em tempo, saindo de Sheffield pela manhã, por mais cedo que o primeiro ônibus fosse. Levamos quase seis horas só pra chegar aqui. Ontem ¿ já foi ontem ¿ tive que ir trabalhar. Como quem prediz, foi um daqueles dias de trabalho duro, com muitas caixas pra abrir. Saí direto do trabalho pra a rodoviária, onde encontrei com André que levou sozinho as malas dos dois ¿ e de ônibus, porque de táxi era muito caro...
Como há pouco mais de um ano, cá estamos nós passando uma noite horrível em Stanstead. Quando chegamos, todas as cadeiras sem braço já estavam tomadas. Sem o meu saco de dormir eu não deito no chão de jeito nenhum (embora muita gente esteja, e já ferrados no sono). Só restam as cadeiras com braço na área das chegadas, que é o lugar mais movimentado. Até que agora está calmo. Mesmo os fumantes inveterados estão bem longe. O problema é acha a tal posição na cadeira. E sem uma que seja suficientemente confortável pra que eu durma por 5 minutos ao menos, o jeito é arrumar outra coisa pra fazer, que não seja ficar olhando para o relógio. Não é coincidência que os meus diários de bordo sempre começam aqui (pelo menos os dois últimos).
André já dormiu (ai que ódio! Ele sempre dorme, é impressionante!). O grupo enorme de italianos aqui atrás também já se calou (e olha que eles falaram sem parar por umas quatro horas), até as três crianças espanholas já sossegaram. E eu aqui: cansada de ter levado cortina de um lado pra o outro o dia inteiro, louca por um banho e pagando por uma cama.
Ok! Eu já ouvi música. E por um certo tempo é até bacana ver que no meio dessa confusão, você consegue se isolar numa moldura qualquer, só dependendo da música que estiver tocando. Mas até aí, por um lado eu canso e por outro André monopoliza o aparelho.
Vou ficando por aqui, brincando de escrever e de observar as pessoas. Pelo menos até as 06:00 h da manhã, quando iremos tomar o café.
05:30 H
Um velho atrás de mim acabou de roncar. Isso é uma ofensa!
07:45 H
O sol está nascendo agora e eu já me sinto tão exausta. Não dormi nada vezes nada. O café com leite não bateu bem (mas café com leite NUNCA me bate bem), já fui ao banheiro umas 4 vezes e não, não estou com disenteria, estou é prisão de ventre. Merda (bem, era isso o que eu esperava...)!
Até minha bunda já dói de tanto estar sentada. Não vejo a hora de chegar no hotel e dormir dormir. Ainda faltam umas seis horas pra entrar no avião. Oh céus!
Ainda agora, atrás de mim, um casal estava aos beijos. Como isso é possível?
De volta!
Passei uma semana na Eslovênia fazendo snowboard! Como sempre fiz o meu diário de bordo, que logo logo vou postar aqui. Por enquanto vou curando a ressaca da viagem!
Sexta-feira, Janeiro 07, 2005
Shaun of the Dead
Mais uma vez, esse não é um blog cinematográfico. Acontece que cinema preenche uma grande parte das nossas vidas aqui em casa. Ainda mais agora - aliás, tou pra falar disso há um tempão já... - que a Blockbuster tá com um serviço que é uma coisa. Olha só: você paga 14 libras e pode ter quantos dvds que quiser, desde que sejam até 3 dvd's de uma vez, só entregues pelo correio. Eles tem uma embalagenzinha com selo de primeira classe pré-pago, que você não joga fora. Vira o cartãozinho que tá dentro, coloca o endereço deles pra frente, o dvd dentro da caixinha que é super pequena, não é daquelas caixas retângulares normais, e joga dentro de qualquer caixa de correio na rua. Uma beleza!!
Tudo bem que agora pelo Natal a gente saiu meio que no prejuízo porque todas as entregas ficaram meio prejudicadas mesmo, mas fora isso, beleza de creuza!
Temos visto muita, mas muita coisa mesmo! Tenho que criar vergonha na cara e começar a falar dos meus filmezinhos e colocar aqui os porters que eu gosto tanto. Então vou começar pelo Shaun of the Dead!
Cara, eu tinha visto o cartaz desse filme pelas ruas, mas não achei que fosse gostar. Lêdo engano: AMEI! É bom demais! Não sei se porque ele é super british e como tou morando por aqui, a diversão foi dobrada ou se porque o danado é bom mesmo. Fazia tempo que eu não ria tanto (tudo bem que ontem eu ri de chorar revendo um dos episódios de Friends - que também tem na Blockbuster - quando Ross fica treinando dirty talk com Joey. Mas até antes de ontem, realmente fazia tempo).
Esse é uma paródia com o Dawn of the Dead, que eu ainda não vi, mas tenho certeza que se ver agora vou ficar saudosa do Shaun. Aliás, Shaun é o cara mais típico do mundo, com o amigo traficante que é o máximo!! Emprego sem futuro, crises com a namorada, com o padrasto, com os colegas de apartamento, xícaras de chá e óbviamente, zumbis, fazem parte do cenário do filme. Não é à toa que ganhou em alguns contextos por essas bandas, o melhor filme de 2004.
Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
Flashdance
Quem nunca viu esse filme?? Meu marido...
Mas tirando ele, eu aposto que todas as nêgas aí da minha idade pra cima já viram e mais: ficavam doidas pra ser a mocinha. Assim, independente, morando num loft, dando duro danado, arrumando um gato (?), andando de bicicleta pra cima e pra baixo (lembrem que quando eu via na Sessão da Tarde eu era uma pirralha ainda) e dançando pra caramba.
Eu cresci ouvindo e cantando (em embromês, claro!) aquelas músicas!
Ontem pegamos o filme passando na TV aí do meio pro final. Eu fiquei impressionada como aquilo dali passava na Sessão da Tarde!
Não é tudo feito nos anos 80 que me agrada. Certas coisas estão tão cheias de clichés que me dão arrepios. Mas Flashdance é sempre Flashdance (com cliché e tudo)! Até chegamos a conclusão ontem que Flashdance está para as meninas como Rocky está para os Meninos.
Coisinha chata aliás foi a Jennifer Lopez fazer um clip imitando o filme (quem mandou? tome, foi processada!). André passava o tempo todo comparando a imitação ao original, como se a imitação fosse o original. Que sacrilégio! Comparando a coxa das duas... homem vendo filme não tem lá muita poesia, né não?
Eu tava esperando duas cenas: a do balde d'água, que já havia passado e eu perdi. Tsc! E a última dança. Ah, a última dança! Eu acho que muita fita de vídeo arrebentou naquela parte de tanto ser rewinded pra copiar os passos. Eu ficava pensando: se ela consegue dançar daquele jeito, eu também consigo! Nunca consegui... Mas não fazia mal, porque ela no final das contas conseguia a bolsa de estudos pra fazer balé!
Aí foi então que ontem, já quase de madrugada, minha ilusão pré-adolescente veio abaixo: quem faz a última dança é um DUBLÊ! Como que eles fazem isso comigo??? É por isso que eu nunca consegui dançar daquele jeito. Nem ela conseguiu, o que dirá eu...
p.s. Que cara feio do cacete faz par romântico com ela! E o cabelo dela então é um capitulo à parte, digno do meu último post. Vai entender os anos 80...
Quarta-feira, Janeiro 05, 2005
Chapinha
Olha a minha cara hoje quando eu cheguei na loja pra comprar minha chapinha:
"- Moça, me arrume uma chapinha no preço pelamordedeus!!"
"- Leve essa minha filha. Corra!"
Terça-feira, Janeiro 04, 2005
Tsunami
"Graças a sistemas ancestrais de detecção de mudanças na natureza, as seis tribos primitivas indianas que habitam as ilhas de Andaman e Nicobar sobreviveram aos tsunamis que assolaram o sudeste asiático. Após observar o canto dos pássaros e a mudança nos padrões de conduta dos animais marítimos, os aborígines fugiram para as florestas do interior da ilha na busca de segurança e por isso não houve vítimas entre as comunidades dos jarwas, onges, shompens, sentenaleses e grande andamaneses."
Em Terra Notícias.
O que uma boa conexão com a natureza não faz, heim?
Segunda-feira, Janeiro 03, 2005
Cadê a minha concentração?
Ai Mamãe do Céu, me ajuda a me fazer concentrar, vai???
Tou precisando tanto escrever aquele trabalho de 3500 palavras até Sexta e até agora só saíram 123 palavras...
Vou ficar aqui esperando a Sua ajuda, mas não esquece de me escutar logo, porque o tempo tá passando e a Senhora só fez o dia durar 15 horas - descontando as 9 que eu durmo todo dia.
Se as 3500 palavras estiverem escritas até Sexta, vou deixar uma velinha pra Você aqui no primeiro post durante uma semana inteirinha!!!
Amém.
Domingo, Janeiro 02, 2005
Café BomBom
Quando eu morava em Lisboa, teve uma época que eu e a Piedade descobrimos um quiosque da Nescafé lá na estação do Campo Grande, final (na época) das linhas verde e amarela. Então saíamos as duas do trabalho, percorríamos a linha verde até o final e íamos tomar um café bombom. Tinham outros sabores também, mas o de eleição era mesmo o bombom: café expresso com leite condensado.
Quando eu deixei de trabalhar no restaurante, nas tardes em que eu e Piedade saíamos pelas ruas da Baixa pra bater perna, terminávamos nossas andanças lá no Campo Grande. O quiosque no meio da plataforma, com bancos de espera no meio. As pessoas esperando pra embarcar, e nós duas bebendo café!! Parece tão bobo, mas era tão gostoso!!
Quando o café acabava, eu seguia na linha verde pra trocar pra linha vermelha na Alameda em direção ao Oriente e Piedade ia pegar o ônibus intermunicipal.
Outro dia consegui enfim comprar minha cafeteira de café expresso (um dia eu irei comprar a máquina elétrica!), que é igualzinha a essa da foto! Minha mãe me mandou um pacotinho de café do Brasil, que eu tou fazendo durar o máximo possível. Toda vez que vem alguém aqui em casa eu sirvo o meu 'café brasileiro' toda orgulhosa!
O achocolatado do André acabou essa semana e ele deu um pulinho no supermercado pra comprar mais. Aí eu pedi pra trazer uma 'lata' de leite condensado. Ele trouxe uma bisnaga...
É impressionante a tecnologia hoje em dia, né? Um bisnagão de leite condensado lá na geladeira prontinho pra eu colocar no meu café expresso e relembrar meus dias lisboetas!
Preciso ligar pra Piedade...
Sábado, Janeiro 01, 2005
O Boxing Day
O Boxing day é um lance que só acontece aqui na Inglaterra (até onde eu sei...), e que geralmente pega qualquer estrangeiro meio desprevinido.
O que acontece é que todo dia 26 de Dezembro e 1 de Janeiro nada, absolutamente nada, acontece. Oficialmente é pra ser um dia de molho compulsório pra todo mundo. Não tem ônibus, não abre nada, rua deserta, nada.
Parece que isso é uma tradição que vem desde a Idade Média (mas como em tradição antiga, há controvérsias...) de dar folga a todos os serviçais que trabalharam no dia de Natal, pra que o pessoal possa ir em casa e ter algum descanso.
Vindo mais cá pra modernidade, essa tradição evolui para além de dar folga ao pessoal, oferecer também presentes para aqueles que contribuiram de alguma maneira contigo durante o ano todo: o leiteiro, o jornaleiro, o carteiro, o lixeiro, etc... (Isso me faz lembrar minha mãe que no tempo das vacas gordas dava caixas de panetone pra esse pessoal também!)
Eu acho que é bastante válido! Tudo bem dar folga pra todo mundo, MAS O ÔNIBUS TAMBÉM?? Isso é que não dá. Se a criatura não tiver um carro, mesmo que queira sair, fica exilado dentro de casa. Claro que os taxistas se fazem, mas táxi na Inglaterra? Nam...
Agora eu acredito que essa tradição tá meio que caindo em desuso. Hoje eu não sei, mas no boxing day de Natal teve o tramway que funcionou, e eu também tive que ir trabalhar, o que foi uma droga. Porque além de ter que ter andado 40 minutos pra ir pra voltar num frio de dois graus - porque não tinha ônibus e o tramway não me serve - quase não fizemos vendas, óbvio! Embora tivesse muita gente dentro loja.
Como tudo hoje em dia, o boxing day é só mais um dia comercial que marca a abertura oficial da liquidação de inverno. Então as pessoas ficam empolvorosas, enlouquecidas mesmo.
Ainda bem que eu não fui escalada pra trabalhar hoje, que é o meu dia normal de trabalho mesmo - Sábado. Ter que ir andando 40 minutos de novo não dá (embora eu faça isso sempre pra ir bater perna no centro, mas minha gerente não precisa saber desse detalhe!!).
Uma coisa engraçada, que eu acho que é único daqui também, é que se um feriadão como o boxing day cair num dia de fim de semana, os bancos conseguem que o feriado seja transferido pra um dia da semana! Já pensou?? No Brasil, se o 7 de Setembro cair num Sábado, baubau tia Xica!